Ônus e Bônus

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

Semana passada o meu amigo foi numa missa gospel próximo da minha casa e nem me avisou. Depois eu pego ele, mas o fato é que esse meu companheiro me chamou depois pra contar sobre como tinha sido e compartilhar impressões. Segue a narrativa do que ouviu:

- Ele começou (o dirigente do local) contando que de manhã pregou em Joinville (matriz da igreja dele) e tinha umas 1.000 pessoas. Pediu pra levantar quem era comprometido financeiramente com a __________. Nem metade levantou. Disse que isso deixava ele triste. Depois falou pra ali fazer o mesmo. Umas 300 devia ter, somente uns 30 levantaram. Ele pediu pra aplaudir essa galera e depois falou que aqueles que não levantaram deviam se envergonhar. Mas ele não falou de valores. Ele falou de comprometimento. Pra ir no cinema? Tem que pagar ingresso. Pra ir no clube? Paga a mensalidade. Pra ir pra faculdade? Tem que pagar. Por quê ali tem que ser diferente? Não é pelo dinheiro. É pelo comprometimento. Você querem um lugar maior? Que tenha pelo menos um banheiro separado pras meninas? Vocês é que vão investir nisso - Aí no final, tocaram uma música enquanto um baldinho passava pra coloarem suas ofertas e dízimos e ele disse - Não importa seu dinheiro. Importa o seu coração. Se você pode ajudar com R$2,00, é isso! Joga no balde. Se pode com mais, amém! Mas se você não tem como ajudar com nada hoje, cara, é um PRAZER pra _________ bancar você! Sinta-se em casa do mesmo modo. A gente quer seu coração aqui, que você sinta que isso aqui é seu e a responsabilidade sua.

Então meu amigo dividiu suas impressões comigo, achando legal e coerente as palavras desse líder. Eu concordei e acrescentei, que, na verdade o dirigente até começou bem, pois parto do mesmo principio que ele tem de dividir as responsabilidades pelo espaço social, o que me leva a não atacar as contribuições missais de qualquer credo religioso. Porém em relação a finanças sempre foi dito que a igreja nos moldes de Atos 2, que também DIVIDIAM além de arrecadar, seria impossível de praticar no nosso modelo econômico capitalista.

Eu retruco porém chamando a atenção para o modelo cooperativo. Na verdade o modelo empresarial vigente nas igrejas na prática é errado e deve acabar. Religião não é comércio, nunca foi, nem deve ser. Mas é um espaço público com despesas e com um dever social que não pode ser separado nem descolado: O credo é nulo e vazio sem a práxis. Como eu disse o tal dirigente apresentou apenas um lado, mas não conheci ainda uma instituição que tenha trocado o modelo empresarial pelo de cooperativa. Claro que existem diferenças na forma, mas não no conteúdo. Tem aquelas que não passam o baldinho, outras em que se coloca o dinheiro sem olhar na mão dos anciãos. Mas o movimento nunca é de gerenciamento coletivo, mas centralizado. Claro que existem as que praticam obras assistencialista, distribuem cestas básicas e etc. Mas não se trata disso. Não se trata apenas da parte da prática de doação, mas do modelo em uso para com os sócios/membros.

Precisamos repensar as estruturas e sistemas, não é difícil nem impossível, apenas falta boa vontade de dar seguimento a um bom pensamento como teve esse dirigente. De Ônus e Bônus.

Sexta-feira, 07 de Outubro de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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