A tragédia de Jonas

Café Subversivo

Eu, Jonas, fui para Jope
Lá comprei um bilhete e me escondi,
taciturno, no porão dum navio...

E o Santo fez o mar agitado,
a tempestade pungente e o peixe
que me cuspiu na vaga praia salobra...

Eu queria Justiça, queria vingança,
queria ver Nínine queimar por sua
rebelião contra o Soberano...
- "Por que? Por que, Senhor,
pouparias cidade tão vil e cruel"?

O Espírito fez a voz que
Bradou duma Aboboreira:
- "Jonas, Nínive nasceste e
Nínive te concebeu tua mãe…
És Nínive, homem tolo, Nínive és tu"!

E eu, por fim, fiz o profeta
embasbacado que percebeu estar
em seu próprio julgamento gritado:
- "morte, morte e condenação ao réu!"...

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016

Sobre o Escritor

Dom Will

Poeta contemporâneo, viajante compulsivo compulsório, escritor de aeroporto, leitor de período integral.

Escreve depois que a patroa dorme.

Escreve às quintas.

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