Apesar de termos feito tudo o que fizemos

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

"...ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais... Nossos ídolos ainda são os mesmos*

Essa semana me perguntaram: qual a sua religião? No que eu prontamente respondi: Batista por parte de mãe e Agnóstico por parte de pai. Não foi uma resposta pronta ou sem pensar. Mas fruto de uma tentativa de equilibrar minha mente conturbada. Talvez por minhas postagens denuncistas no Facebook contra os ladrões da fé alheia, porém focadas apenas em auto critica, exclusivamente contra minha religião materna, pois cuido respeitar sempre outros tipos fora da matiz judaico cristã evangélica.

Talvez, por essas postagens e a exposição de pensamentos conflitantes com os dogmas praticados e aceitos, muitos me tem por desigrejado. O que de fato não sou, visto que, apesar de não estar nominalmente relacionado em nenhum rol de membros, nunca parei de frequentar aqui e ali, várias formas de missas evangelicais. Dos Neopentecostais até os reformados, indo conforme minha disponibilidade de tempo e proximidade, porém evito hoje uma militância e participação maior como a que já tive a anos atrás. Isso por ter ao longo do tempo me distanciado dos padrões e pensamentos aceitos em tais comunidades, como por exemplo a preocupação exacerbada com o cú alheio.

Assim, tenho me transformado em um teórico, como na visão política, onde sou apenas um filósofo socialista. Tenho me tornado um filósofo da fé e não praticante. Recentemente fui confrontado por um amigo a colocar em prática algo que acredito: "Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo." Tiago 1:26,27 . Esse amigo, está iniciando um trabalho nessa direção em uma cidade vizinha a minha, mas com as desculpas mentais de primeiro melhorar de saúde para sair no tempo frio com eles, eu vou levando. Enquanto isso sigo comungando quando posso em um encontro de fé. Sendo apenas um ouvinte não colaborativo. Assisto a reunião e me encanto com os louvores, mas que não me peçam pra falar: me atenho a ser um assistente. Literalmente alguém que comunga apenas assistindo a liturgia.

Enquanto isso ainda procuro o equilíbrio com o lado paterno. Agradeço aos céus, por ter recebido na infância o contraponto com o realismo da vida. Reconheço padrões de cegueira na religiosidade justamente onde ela se propõem a iluminar. Vivemos a sombra dos ídolos alheios que não são impostos, mas apresentados muitas vezes na mais tenra idade. Não precisam ser objetos de madeira ou barro. Muitas vezes os dogmas se transformam nesses ídolos quando suprimem o humano. Não entendem e não aceitam o seu próprio livro inerrante que diz: "E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado." Marcos 2:27

Pelo sábado, podemos traduzir toda a liturgia e dogmas vivenciados pela religião e que só os agnósticos tem o poder do sacrilégio. Uma comparação bem esdruxula da minha parte é me comparar nesse sentido com o vampiro Blade do Wesley Snipes. Humano e vampiro ele caminhava entre os dois mundos. Esse poder de transcender aos dogmas e liturgias, de afirmar a própria ignorância sem medo, não como o ateu todynho que busca afirmar a inexistência do que ignora, mas como um poder para enxergar o humano em seu sentido pleno nos leva mais perto das palavras do Cristo do que uma fé, outra vez digo, que é cega e senhora dos sábados e dos homens.

Assim sendo

"Minha dor é perceber

Que apesar de termos feito tudo o que fizemos

Ainda somos os mesmos e vivemos

Ainda somos os mesmos e vivemos

Como os nossos pais...

*Música: Como nossos pais. Compositor Belchior.

Sexta-feira, 08 de Julho de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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