Da dança cósmica

Café Subversivo

De todo o melhor do dia fora aquela dança.

Não sei do porquê, mas quando envolvi o pescoço alvo de Caroline me senti flutuante…

Não fui às nuvens, lugar preferido dos enamorados comuns - nunca fui um enamorado comum.

Quis o Soberano me permitir coisa melhor: viajei ao espaço infinito da imaginação…

Naquele momento, éramos, ambos, parte de um imenso universo paralelamente perpendicular.

Eram os olhos da menina Almeida dois Sóis e todo o resto da mobília da sala encenava planetas, luas, cometas e asteróides.

Estrelas não havia! Nenhum dos presentes ousava competir com o calor que emanava daqueles olhos soberbamente luzidios.

Eu mesmo era um planeta naquela epifania. Era "Mercúrio", e de quando em vez, uma tempestade solar me atingia, quente, lasciva e lancinante. Cada labareda levava cativa uma parte a mais de minha existência espacial.

Por fim terminou a dança. Eu acordei de meu sonho infinitésimo e quando olhei em volta percebi que nunca havia deixado a sala de estar.

Mas, quando olhei nos profundos olhos de minha amada, percebi ainda uma fagulha viva da mesma luz que vira em minha estranha viagem astral…

Fosse físico elaboraria uma teoria. Mas Deus me fez poeta, compus esta narrativa sem ambiente aos "modus" de Anton Tchekhov, o médico Russo.

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=Dom Will

Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Sobre o Escritor

Dom Will

Poeta contemporâneo, viajante compulsivo compulsório, escritor de aeroporto, leitor de período integral.

Escreve depois que a patroa dorme.

Escreve às quintas.

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