Das meias e das almas

Café Subversivo

Hoje o dia amanheceu frio. Tratei logo de botar duas meias. Mamãe sempre dizia que se meus pés estivessem quentes, minha alma também ia estar…

Já é de manhã, mas o céu continua roxo. Uma vez um pintor me contou que o escuro do céu não era cinza, era roxo. Eu gosto de roxo, mamãe gostava de vermelho.

(…)

- Papai será que vai chover!?

- Talvez, minha criança. Precisamos nos apressar, não queremos chegar atrasados na escola novamente, certo?

- Certo, papai…

(…)

De fato a manhã estava fria, e não falo apenas do frio que sentia na pele. Falo do frio que me corroía a alma. Talvez Helena estivesse certa e meus pés realmente necessitassem de maior aquecimento. Talvez eu todo carecesse de cuidados. Vivia jogado às traças, na biblioteca. Meu único momento de paz era quando ajeitava as tranças da menininha…

Vá saber… Mas acho que, àquela altura da vida, pouca diferença faria calçar mais uma, duas ou três meias.

- O ônibus, papai, corre! Vamos chegar atrasados na escola de novo…

=Dom

Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Sobre o Escritor

Dom Will

Poeta contemporâneo, viajante compulsivo compulsório, escritor de aeroporto, leitor de período integral.

Escreve depois que a patroa dorme.

Escreve às quintas.

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