Dum cristo, uma cruz e um taxista

Café Subversivo

Um dia destes, de tanto colher material por esse Brasil, escreverei um livro com os causos que os taxistas contam…

Mas não era disso que queria falar. Queria contar que em minha última viagem, Rondônia, pela proximidade com a selva, pedi a um taxista que me levasse a algum lugar onde comprar artesanato indígena.

Ele fez mais que a encomenda, me levou à praça do Rio Madeira, e me acompanhou às compras contando os causos do Velho, do Porto e do rio cheio de jacarés, piranhas e monstros do além-mar.

No meio da interessante incursão encontrei uma banca que vendia objetos de pedras da Amazônia. Vi uma Cruz, símbolo de minha fé, que muito me chamou atenção.

Analisei a peça, com um olho no gato e outro no peixe, pois as histórias do condutor eram interessantes e valiosas para um escritor em formação com este que vos fala.

Fiz outras compras, o taxista também comprou coisas para si e para a esposa - que era delegada da delegacia da mulher - e retornei ao hotel com pressa, temendo perder o vôo…

Quando cheguei ao quarto fui analisar as compras feito criança que ganha brinquedo novo. E, para minha surpresa, tinham pregado um "cristo" na minha cruz"…

Distraído na boa conversa não comprei uma Cruz, símbolo dos protestantes, mas um crucifixo, símbolo dos romanistas…

Não tive dúvidas, arrumei um objeto pontiagudo e tratei logo de arrancar aquela heresia.

Tirei o cristo da cruz, afinal, já faz mais de dois mil anos que a Cruz não é lugar para Cristo!

=Dom

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

Sobre o Escritor

Dom Will

Poeta contemporâneo, viajante compulsivo compulsório, escritor de aeroporto, leitor de período integral.

Escreve depois que a patroa dorme.

Escreve às quintas.

Comentários