Inspiração x Psicografia

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

A fumaça e o aroma desse café SDR, muitas vezes, refletem a natureza iconoclasta e agnóstica do autor em relação ao divino. Faz parte das divagações matinais que ele atualmente compartilha com o leitor. Focado em como a bela e necessária busca pelo transcendente pode ser transformada em uma droga pior que o ópio, tanto pelo uso semântico de interpretações preconcebidas, direcionando-as segundo a linha interpretativa do proponente, quanto pelo mais puro desconhecimento das nuances contextuais e relações históricas de textos considerados sacros.

Aí entramos onde finalmente importa: Com a ajuda de um sentimento de humildade, de reconhecimento do não conhecimento, onde no máximo, podemos absorver textos como inspirados e não deificar os oráculos dos deuses, podemos ter um vislumbre de uma busca espiritual sensata. Sem criticar a religião alheia visto que o termo psicografia está no título, que os amigos espíritas entendam que essa postura implica somente em questionar os próprios dogmas de fé e crenças do autor. (Ou não crenças em alguns casos).

Ao contrário do senso comum que considera todo ceticismo como defesa do ateísmo, questionar é até mesmo um conselho da maioria dos livros sagrados incluindo o dos cristãos. É a própria Bíblia que se afirma inspirada e é aí que surgem as dificuldades e confusões de termos. Acreditar na inspiração é buscar na essência tanto na parte histórica quando nas parábolas e metáforas as verdades espirituais que permeiam o nosso mundo.

Por outro lado separar isso de psicografia é entender que tudo que foi inspirado pelo divino passa por um receptáculo humano com todas as suas limitações e interferências, transmutando a mensagem de acordo com o olhar tanto desse canal como da própria audiência, por isso é tão importante a figura do iconoclasta que derruba o mito do homem-deus presente nos grandes líderes que se multiplicam no novo misticismo evangélico: Apóstolos, Bispos, Ungidos, seja qual for o termo que adotem, podemos perceber que se afirmam como porta-vozes do divino e criam uma legião de seguidores que defendem seus dogmas como verdade absoluta para todo o resto de nós.

Isso é muito perigoso. Ora, se buscarmos a essência nos 66 livros que compõem nossa biblioteca mística, sem limitar a multiforme sabedoria do nosso Cristo podemos enxergar além das letras. Sem transformar momentos passados da história e da cultura dos povos em modelos a ser seguidos em nossos dias, podemos ultrapassar e renovar o nosso entendimento e nossa mente em direção ao caminho da paz. Que todos encarem suas religiões como caminhos para libertação e não como um apanhando de proibições e métodos de conduta.

Ame a sua Bíblia, mas não faça dela um deus.

Sexta-feira, 12 de Agosto de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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