Mais uma SDR

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

O velho Buk atormenta nas sombras de um inconsciente intranquilo. Como pode um careta se sentir por vezes irmanado em ideias com o escritor malcriado e taciturno de outros tempos? Mesmo sem uma dose do elixir que causaria a tal liberdade criativa, que lhe tornaria talvez, inconsequente e desbocado, mesmo assim a seu modo, pede a esse mestre a benção e a inspiração na alma para mais uma SDR.

De um misto de inquietudes e sentimentos diversos, procura na escrita voluntária, aquietar e ouvir a própria voz. Afinal não é o que procuram todos tentar calar o ruído a sua volta para saber quem de fato somos e o que queremos? Quem não leu ao menos um livro dele não faz a mínima ideia do que está sendo escrito. E de fato não é para qualquer estômago ou mente. Mas se o leitor se considerar capaz e forte a sugestão é começar com Cartas na rua, onde pela voz de Henry Chinaski, seu alter ego, Bukowski narra suas memórias como funcionário dos Correios no início dos anos 1950.

Talvez o exagero e o politicamente incorreto comportamento do seu personagem te assuste. Mesmo que não se defenda a atual cultura do humor agressivo e feito a custa do oprimido e não do opressor, como já bem nos alertava no passado o nosso Chaplin, podemos sorver e saborear um pouco desse material alternativo. E enfim talvez o menos indicado seja pedir equilíbrio em um post que aborde e clame justamente pelo rei do desequilíbrio em sua forma mais pura e pungente. O pulso ainda pulsa!

Que seja apenas uma dose de insanidade controlável, como um bom vinho, possamos mergulhar e experimentar sabores sem perder toda nossa anterior ingenuidade. Que o tiremos da estante para uma dança de letras, mas que seja um tempero esse seu amargor e não um vício diário e interminável.

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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