Menos Buk, mais amor...

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

Minha primeira experiência com palavrões se deu depois dos 12 anos: Eu estava ajudando meu pai a trocar os vidros de uma janela e falei "pentelho". Um termo que eu tinha ouvido na escola e não tinha a mínima ideia que eram os pelinhos do saco. Usei no sentido de coisa chata, de que foram pentelhos comigo. No que fui prontamente advertido pelo meu pai a não repetir o termo, pois era palavrão. Esse fato me marcou, pois meu pai agnóstico me chamou atenção de forma clara e serena sem nenhum apelo a religião que ele sabia que eu praticava. (Na época não tínhamos como projetar que nos dias de hoje o Faustão usaria o mesmo termo com enorme frequência, nas tardes de domingo na emissora com maior alcance do país)

Minha segunda experiência marcante foi no último dia 12 de outubro de 2016. Cresci e depois de beber muita amargura de fontes Bukoviskianas, e provavelmente ao me aproximar dos quarenta, apesar de ser um cara que controla o uso dos palavrões, mesmo assim, ainda os uso em duas situações: Quando muito irritado ou quando estou num momento selvagem na cama. A segunda parte por se dar entre 4 paredes não preciso me preocupar. Mas a primeira me incomoda e mais ainda depois desse dia das crianças.

Mas deixa eu parar de enrolar e ir direto ao que está me incomodando: Era dia das crianças, fui levar o presente ao meu sobrinho e depois disso fui na minha mãe com ele. Estava lá, ele brincando com o avô e eu ajudando a arrumar as coisas recém mudadas da casa. De repente perco a paciência com meu irmão caçula e solto um "vai a merda", alto e bravo. No que prontamente meu sobrinho de 4 anos repete. Meu pai que estava com ele na hora interferiu com calma e mansidão, falou pra ele, seus tios estão fazendo coisa errada, não repete isso. Essa foi a segunda experiência marcante com palavrão na minha vida.

Buk, vamos ter que conversar seriamente. Não dá mais. Me inspiro em você na escrita, na coluna SDR e tal, mas depois dessa, vou ter que trabalhar em minha vida o uso dos palavrões. Menos Buk e mais amor, eu preciso praticar.

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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