O muito estudar é enfado

Sexo, Drogas E Rock'n Roll

Eclesiastes, que faz parte dos livros da biblioteca sagrada dos cristãos é o que mais pode ser visto como um momento à la Bukowski do já velho e combalido rei Salomão. Talvez por isso o gosto similar na leitura de ambos os personagens.

Agora vamos fazer um exercício mental que consiste em trocar o livro, por outro bem conhecido. Vamos imaginar uma pessoa nascida e criada desde pequena, estudando o Alcorão. É de imaginar que ela forme uma filosofia de vida baseada em suas leituras e interpretações. Um mundo ideal, dentro da coerência de interpretações que vão desde a lógica até o exercício da fé racional.

Chega um momento em que ele vê, por todo o lado, gente da sua fé falando coisas que não estão escritas no seu livro sacro. Ele por um tempo resolve ser uma voz em meio a multidão pra tentar trazer a luz aquilo que está sendo obscurecido. Ele é chamado de polêmico pelos seus.

Lhe perguntam se ele não pode apenas seguir a sua religião, como todos os outros. Seguir as tradições passadas de geração a geração. Sim, dentro de sua religião tem vários segmentos e várias sub-seitas que o cortejam, mas para participar dela, ele deve parar de ser polêmico e seguir os rituais. Mas e agora? Ele já chegou no ponto do enfado.

Ele já chegou no ponto da preguiça de explicar a semiótica, onde o símbolo não pode ser trocado ou idolatrado, chegando ao ponto de substituir o simbolizado. Ele já cansou. Ele não consegue mais, talvez pelo enfado ter a paciência necessária aos velhos gurus bonzinhos da imaginação coletiva.

Ele quer xingar e dizer, puxa vida, vocês só querem enxergar o que querem enxergar, então se virem. Não me perguntem nada. Ele está enfadado. Algumas vezes, um ou outro amigo, com as perguntas certas, ainda consegue fazer ele acessar as informações sobre o que leu de Alá e como reconhece-lo, mas ele próprio se encontra cansado e preso em seus próprios momentos de: Vaidade de vaidade, diz o pregador, tudo é vaidade.

Em seu agnosticismo respeitoso em relação a divindades, não ousa pronunciar palavras contra o eterno. Mesmo que, não julga ter conhecido ou o reconhecido, além da teoria de seu livro sacro. No entanto, lamenta que tantos não sejam coerentes na interpretação desse mesmo livro.

Ah, se eles descobrissem como é belo a essência do amor poeticamente descrito ali, talvez não se prestassem a cuidar do cu alheio com tanto afinco.

Libertino? Liberal? Contra os bons costumes? Mesmo garantindo que seu livro de cabeceira é a Bíblia? Você diz seguir a bíblia e ainda afirma que cada um pode se quiser dormir com quem quiser (sendo do consentimento de ambos é claro e todos maiores de idade).

Então rasgue sua bíblia, foi o que disseram a esse escriba. Ele não rasgou e continua crente e esperançoso de conhecer a divindade suprema que está sobre e em todos. E espera que realmente ele seja o ser supremo que supere toda a pequenez de nossas incoerências ditas sacras.

Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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