O Pranto

Café Subversivo

Ao meu lado, na verde lata balouçante, havia uma menina chorosa. Chorava um choro baixinho e triste. Seus suspiros profundos e frequentes conferiam certo tom solene a seu pesar.

Não percebi o pranto quando me sentei, acho que estava muito preocupado com os rumos que tomam os mundos.

Tentei olhar seu rosto, mas pouco pude discernir. Essas jovens mulheres sempre se parecem quando estão tristes - é como se as lagrimas lhes servissem de máscara.

Pensei em lhe oferecer ajuda, mas me contive. Os sentimentos de uma menina lacrimosa são complexos demais para as humildes idéias deste reles engenheiro na crise dos trinta.

Não havia o que fazer, puxei o telefone e me lancei à prosa. No entanto, hoje, mais contemplativa e menos mordaz que o costumeiro.

=Dom

Quinta-feira, 02 de Fevereiro de 2017

Sobre o Escritor

Dom Will

Poeta contemporâneo, viajante compulsivo compulsório, escritor de aeroporto, leitor de período integral.

Escreve depois que a patroa dorme.

Escreve às quintas.

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