Transitoriedade

Sexo, Drogas E Rock'n Roll
"Houve um tempo em que fui criança como vocês. Mas o tempo passa e aquilo que era deixa de ser. O tempo é isto: o poder que faz com que coisas que existem deixem de existir para que outras, que não existiam, venham a existir"

Poeta, cronista, teólogo, filósofo, psicanalista e educador Rubem Alves.

Após o nascimento do meu sobrinho que agora está com 4 anos e o falecimento de minha avó materna nesse ano, pude mergulhar em sentimentos na essência da frase que abre a coluna. Como ultimamente o café de sexta se tornou mais filosófico que outra coisa, posso me arvorar sem temor como cronista amador e amante da vida que foi e da vida que chega!

Expedita em homenagem a um mártir cristão chamado Expedito, era o nome de minha avó, de quem estávamos distantes por força da geografia brasileira, nós no sul do país, ela no nordeste. Sua história contada a partir do assassinato do marido quando jovem, a deixando com 5 filhos pequenos só torna sua biografia mais chocante e especial para esse neto que era o seu protegido quando a visitava nas férias. Triste ao escrever essas linhas e com a dor da perda dela esse ano? Sim, porém feliz e se sentindo privilegiado por ser seu descendente. Ela possibilitou que algo que não existia, agora exista, ela foi o caminho nessa transitoriedade.

Se hoje o pequeno Benjamin faz cócegas no coração desse tio babão que lhe chama de xodó, foi por que a vida executou com naturalidade seu ciclo. E que bela poesia tem toda essa sequência, nessa nossa passageira humanidade, descobrimos nós mesmos nos nossos. E foi com todo o bem que nasce da alegria e do sorriso no olhar que ele dá quando vê os seus, que o pequeno sobrinho abriu meu coração e permitiu que eu fosse atrás de um pedaço meu perdido.

Seu nascimento e o contato com ele me fez querer conhecer meu próprio filho, Bernardo, com o qual eu não tinha contato. Está com 9 anos agora e já estamos juntos há três aniversários. É muito interessante que sem nenhuma convivência ele tenha tantos aspectos de comportamento meus. Não foram aprendidos ou replicados, ele não teve como observar e copiar. Apenas estão lá e quem passa a conhecer os dois, confirma o quanto temos um do outro.

E assim a vida segue seu curso como um rio que passa e que não para!

Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Sobre o Escritor

Cass Aquino

Jornalista, ator e Palestrante de oficinas sobre comunicação e artes. Bacharel em Comunicação Social Formado em Jornalismo no ano de 2010 pela Universidade do Vale do Itajaí. Foi ator do grupo de teatro de pantomíma Gibbor por mais de 15 anos.

Escreve às sexta.

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